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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O amor existe?



Várias pessoas se perguntam sobre a existência do amor, se ele existe ou se pode ocorrer possibilidade ao encontro desse sentimento nos dias atuais. A resposta é refém das condições que envolvem várias variáveis, como da efemeridade do tempo aos desejos e prazeres, porque vivem em constantes oscilações, se metamorfoseando conforme a combinação das necessidades dos seres.
No percorrer do tempo começa-se a perceber a busca pela existência do amor. Talvez a pergunta devesse ser outra, por exemplo, existem pessoas que se complementam? A procura por excelência, no que toca ao amor, nem sempre é o que se espera daquela pessoa que tanto se enamora. Dessa maneira se extrai os equívocos aos sentimentos, fuga às novas investiduras ao amor por ocorrência ao medo do novo errar, a convivência social e a realidade que engrandece a entrega dos seres ao prazer que se desencontra com o desejo a longo prazo, descaracterizando a busca por sucessivos prazeres durante a vida numa relação a dois, como boas conversas ou o conviver aventuras recíprocas que a relação conjugal possa permitir. 
Durante o tempo percebe-se o impreciso quando se admira alguém por atos que se extinguem em prazos que variam conforme os desejos e prazeres. A descoberta do sentimento amor envolve reciprocidade à abertura do desejo de sentir prazer a um ato (ou atos) de se estar em proximidade a algo que se deseja e que conceda prazer quando adquirido, estando apto a saciar as vontades e necessidades do ser.
A efemeridade dos desejos e prazeres pode arriscar o sentimento de amor ao engano. Isso lembra um investimento, no qual se aplica um determinado valor num objeto para depois colher prosperidade. Todo investimento precisa de cuidado, uma análise crítica deverá ser feita para as possíveis perdas no futuro, como também para os ganhos.
Sabe-se que todo investidor está sujeito aos riscos, podendo ele ficar pobre ou rico ao primeiro aceno da aurora. Talvez seja chulo comparar sentimento com algo que envolva investimentos. Porém pode fazer sentido quando se admite algum fracasso. Não admiti-lo é o mesmo que fanar diante das mazelas; é estar tácito por natureza, consequência de alguma enfermidade adquirida; porque se faz ilação com base nos antigos relacionamentos. Essa estimativa é o medo, resultado de alguma frustração ou fracasso, esse sentimento é o selo que peia e que leva ao óbito qualquer possibilidade de ser terno e simpático às novas sensações, isto é, aos novos investimentos.
No primeiro amor e quando o medo é recalcitrado faz-se emergir os serviços da deusa Afrodite e de seus assistentes Eros e Hímero. Hímero, que de olhos vedados lança “as primeiras setas ao acaso”, desperta o desejo efêmero do amor. Eros, que deriva “herói”, determina quando do amor ser mais forte que qualquer prazer; amor como sacrifício, mais imperioso que a própria vida. É este que aprisiona os seres às novas inclinações ao amor (para quem o teve), do amor entrelaçado com a primeira fonte de sentimento, que torna as pessoas dependentes das demais experiências que a vida pode ou possa oferecer; é ele quem decide as aptidões futuras acerca do amor e também a conquista do desejar o outro ser para si a longo prazo. Comparando com os investimentos, é o passado frustrado que torna o investidor mais cauteloso para as novas intenções de investidas. 
Até aqui se entende que passado preserva o futuro, porque é isto que o texto propõe, o passado pode ser modificado e retificado. Mas, o que seria o sentimento inicial ou a primeira fonte de desejo? Algumas respostas são possíveis encontrar em seu consciente, porque todo ser possui alguma feição pré estabelecida a saciar o prazer imediato, que antecede o desejo, logo, as pessoas já devem ter se iludido com sensações sem efeitos contínuos. 
As pessoas se abstêm de qualquer possibilidade de amar intensamente, seja pelas experiências próprias como pelas indagações da sociedade, o famoso adultério, por exemplo, porque não quer dar tempo ou porque não há tempo para se chegar à descoberta desse sentimento. No entanto, algumas outras barreiras para a descoberta do amor são expostas: “falta de coragem” e medo em arriscar. Fica a pergunta, porque há medo de algo que pouco se conhece e porque falta coragem em conhecê-lo? A psicologia talvez tenha várias conclusões, mas a explicação que cabe aqui é que a sensação do corpo frente à primeira fonte de prazeres, antecedente ao desejo, ocorre. Essa é uma sensação de conforto e paz, há uma taquicardia devido à presença da pessoa no qual tanto se deseja. É a felicidade interior que está prestes a emanar do ser. É esse sentimento que aflora as setas do Hímero. Voltando aos investimentos, um investidor dificilmente abandona seu ofício após uma crise ou erro. Ele tenta a todo o momento salvar seus investimentos e, mesmo fracassado, insere novas investidas.
É esse o espírito que está nas pessoas. O que faz o investidor capaz de correr riscos? O que o torna invulnerável ao medo? Analisando alguns pensadores como Freud, Reich e Shakespeare, pode-se afirmar que o medo é a insegurança que o homem adquire de uma relação longo prazo, ou e, as experiências que o homem vai conquistando ao longo da vida, dotando-o da diferenciação de prazer e desprazer num contexto social.
Portanto, é o prazer que torna um investidor apto às novas investiduras; porque se não fosse de sua função na sociedade, que foi descoberta após a experiência de prazer e desprazer que lhe concede funções psíquicas de desejo ao maior sucesso financeiro, esse não seria investidor. O medo à entrega e a falta de coragem para investiduras ou novas investidas ao sentimento de prazer ao amor apenas enfraquecem Hímero, a falta do fluído cósmico que une o corpo à vontade de desejo a uma relação entre corpos debilitam Eros e ambos cessam qualquer possibilidade de catarse pela deusa Vênus. Sendo a primeira a principal tanalogia do amor.
O que torna potenciais palavras de amor ao sentimento? A juventude foi “acelerada” pelo tempo e perderam-se as noções das melodias e acordes que tanto se deu valor. Os antigos cotidianos das trocas de prazeres e à necessidade do ser estar envolvido à relação conjugal, durante os períodos áureos das formações familiares, foram trocados por meras palavras que se inflam em sentimentos vagos em busca de conquistas de apenas uma noite de verão, enquanto os demais concentram esforços às noites de luas cheias em vão a dois, ficando restritos à efemeridade do desejo e do prazer, ou seja, se confundem e não se destacam, se assemelhando ao prazer natural ao sexo das demais espécies de animais.
 Assim se desmonta as convenções tradicionais que respondem o encontrar amor dito verdadeiro. É possível haver verossimilhança à inflamação do envolver prazeres, desde que haja o encontro do desejar às trocas de prazeres, isto é, espera-se que se admita, em situação, o desejo de se conjugar os prazeres e, em condição, que o tempo permita que não se leve a falhar os prazeres. Exemplo de sentimento que inclina ao fracasso se situa no desejo ao corpo do outro e que dele se espera o prazer, sabe-se que o organismo está sujeito às perdas durante o tempo e, logo, se entende a efemeridade do cultuar o prazer em desejar, que coloca em cela as relações longo prazo.
O amor não responde ao tempo, mas às necessidades que se busca dentro das escalas desse tempo ou às variações psicológicas que cada ser possui, como o gostar e admirar os mesmos objetos ou realizar algo que lhes permitem relações que produzam o ecoar da saudade, que só é descoberta após a morte do outro ser, por conta da não descoberta dos potenciais valores dos prazeres que, descobertos a tempo, sejam engrandecidos e nobres aos dois, se tornando eternos. Dessa forma a confusão dos desejos com os prazeres pode ser vencida e o ser poderá se antevir ao futuro, prevendo os desejos do outro e centralizando suas vontades às necessidades à busca do amor dito verdadeiro.





domingo, 4 de janeiro de 2015

ELEMENTOS BÁSICOS À DIFICULDADE METODOLÓGICA EM SALA DE AULA




ELEMENTOS BÁSICOS À DIFICULDADE METODOLÓGICA EM SALA DE AULA 

Em uma sociedade existem diversos sujeitos com pensamentos distintos reunidos em tribos sociais, que encontram suas identidades e simpatias com pessoas de mesma feição psíquica. Ambos passam por diferentes experiências ao longo de suas vidas, diversas formas de adaptação às normas impostas pelos poderes socialmente aceitos e por diferentes tipos de controles sociais.
Nesse sentido, existem diversas hipóteses para a formação da subjetividade dos sujeitos. No contexto da educação enquanto meio para se chegar à civilização do indivíduo, irão se tecer algumas considerações acerca da proposta de uma nova escola, uma nova abordagem para o aprendizado do sujeito e, portanto, algumas observações quanto à formação do conhecimento.
 A construção da experiência, segundo Freud (2006), se dá pela distinção de prazer e desprazer que o homem, desde seu nascimento, vai desenvolvendo. A criança, por exemplo, vai descobrindo essa distinção ao sentir desprazer com a fome e prazer ao saciá-la: Uma criança recém-nascida ainda não distingue seu ego do mundo externo como fonte das sensações que fluem sobre ela. Aprende gradativamente a fazê-lo. Reagindo a diversos estímulos. Ela deve ficar fortemente impressionada pelo fato de certas fontes de excitação, que posteriormente identificará como sendo seus próprios órgãos corporais, poderem provê-la de sensações a qualquer momento, ao passo que, de tempos em tempos, outras fontes lhe fogem – entre as quais se destaca a mais desejada de todas, o seio da mãe –, só reaparecendo de seus gritos de socorro (FREUD, 2006, p. 13).
A fronteira para a construção da psique da criança é pela busca de prazer,que é obtida através da experiência. A criança vai descobrindo as sensações de causa dos sofrimentos como dores e fomes, sensação interior ao corpo, e o sentir frio, que provém de seu exterior aos sentidos. A diferenciação dos prazeres atribui conhecimentos a partir da experiência. Dessa forma, a criança vai diferenciando o que é externo e interno de seu corpo, como o ato do choro, situação especial de comunicação, buscando acesso com outra pessoa para a solução de seu sofrimento, fome, por exemplo.
Na proposta para uma educação nova, Dewey (1971) aponta que as experiências adquiridas são capazes de formular propósitos. Um dos exemplos é o ato da criança não tocar o fogo, porque obteve, talvez, experiência com uma queimadura. Assim, formula-se um juízo de valor e a criança, sempre que se aproximar do fogo, irá consultar o seu coquetel cognitivo, memórias, a fim de tornar consciente que o contato com o fogo pode causar-lhe enfermidade. Entende-se, nesse sentido, o porquê da criança, em épocas de frio, se aproximar do fogo e a evitar o contato com ele para sanar suas sensações de baixas térmicas: Uma criança vê o brilho de uma chama e se sente atraída (impulso) para tocá-la. A significação da chama não é, então, o seu brilho, mas seu poder de queimar, como consequência do ato de tocá-la. Só podemos ter consciência, conhecer as consequências devido a experiências. Em casos comuns, devido à muitas experiências anteriores, não há que parar para lembrar quais foram essas experiências. A chama passa a significar luz e calor, sem que tenhamos de pensar expressamente em prévias experiências de calor e queimadura. Mas, em condições novas ou pouco habituais, não podemos dizer quais as consequências observadas, sem recordar em nossa mente experiências passadas e sem refletir sobre elas e analisas os aspectos em que são similares à experiência em curso, a fim de poder chegarmos a um juízo sobre o que esperar da situação presente (DEWEY, 1971).


 

            A formação de propósitos depende da experiência que o sujeito adquire durante a vida para todo o processo cognitivo posterior. Logo, a criança engloba a observação das circunstâncias e condições ambientes; conhecimento do que aconteceu em situações similares no passado, obtido, em parte, pela lembrança e, em outra parcela, pela informação, conselho ou aviso de cuidado dos que tiveram maiores e amplas experiências; julgamento e juízo, ou seja, a operação pela qual se observa e o que se recorda para a conclusão sobre o significado de toda a situação exterior, para a formação do propósito de ação.



Dewey (1971) aponta que o problema crucial da educação é o de conseguir o adiamento da ação imediata - impulso, do desejo de a criança colocar a mão no fogo, através do julgamento subjetivo. Enquanto Freud (2006) acredita que a experiência é a capacidade, cada vez maior, de o homem poder distinguir o que lhe dá prazer ou desprazer ao longo da vida, para se chegar ao desejo de felicidade. A título de conclusão, Freud (2006) está pensando na formação do ego, enquanto Dewey (1971) está com o pensamento no uso das experiências passadas (das crianças e dos professores) à escola nova e progressiva. A adaptação do sujeito na sociedade ocorre através das experiências que as pessoas trocam entre si. Logo, a experiência tem como parte objetiva o contato com as pessoas, pois é imprescindível para exercício da sabedoria em, com experiências mais amplas, futuras inclinações cognitivas. Freud (2006) aposta que o sujeito, sem neuroses, é passivo às normas impostas pela sociedade, como leis e culturas, através do sentimento de culpa e o possível remorso (naquele após pensar na ação que é contra os dogmas da sociedade e neste quando já praticou a ação) do sujeito quando aceita as imposições da sociedade para se tornar membro dela. O controle do sujeito, para Freud (2006), se dá através das normas impostas pela sociedade, ele se abstém de seus instintos primitivos em troca de segurança aos demais instintos; um exemplo é a própria seleção natural de Darwin, no qual o ser humano, por ser um animal, contém a agressividade em seu ego. Porém, como sugere a lei do mais forte, ao transferir as ideias de Darwin para explicar os fenômenos sociais, Spencer criou uma forma, mesmo que inconscientemente, de legitimidade e dominação entre os povos. Admitindo que a inclinação para a agressão seja o impedimento do sujeito a se sujeitar às leis da sociedade, a agressividade é controlada: Sua agressividade é introjetada, internalizada; ela é, na realidade, enviada de volta para o lugar de onde proveio, isto é, dirigida no sentido de seu próprio ego. Aí é assumida por uma parte uma parte do ego, que se coloca contra o resto do ego, como superego, e que então, sob a forma de “consciência”, está pronta para por em ação contra o ego a mesma agressividade rude que o ego teria gostado de satisfazer sobre outros indivíduos, a ele estranhos (FREUD, 2006, p. 85).



Os conteúdos do superego são, por exemplo, as leis que regem a sociedade e os dogmas da igreja, pois sem essas se teriam pessoas em seu estado primitivo ou sujeitas aos impulsos que provém do ego. Nesse sentido, não se chegaria à consciência coletiva e, muito menos, a uma civilização. Dewey (1971) aponta que o caminho para se atingir a civilização ocorre pela via da educação, ou seja, através das experiências que foram adquiridas, um exemplo que ele utiliza faz referência aos jogos, pois envolvem regras e regras ordenam seu comportamento. Jogos não são atividades do acaso, nem improvisações, sem regras não há jogo. Daí a conclusão de que o controle das ações individuais é efetuado pelas ações globais em que os indivíduos se encontram conectados, porque se tornam partes de uma comunidade. Nesse exemplo, o controle social é efetuado em acordo com um grupo de jogadores ao se submeterem às regras, dando natureza a um conjunto de responsabilidades pessoais que, então, são partilhadas entre eles.
Concluem-se as diferentes posições quanto à formação psicológica do sujeito no âmbito da sociedade. Dewey (1971) aponta para o caminho de uma experiência planejada – interação professor e aluno - que inclina o sujeito para o controle das condições impostas pela sociedade. No sentido de que o aluno seja capaz de formar na consciência, através da sujeição, esses controles. Enquanto Freud (2006) acredita que a liberdade do indivíduo (os impulsos) é “inferiorizada” pela sociedade através de leis gerais1. Assim, o conhecimento das leis gerais que regem a natureza não é garantia de felicidade. Não se pode compreender ou formar sujeitos tendo-se em vista um método geral. As pessoas são distintas e não se admite desconsiderar os mecanismos que integram a consciência, porque “a natureza dotou os indivíduos com atributos físicos e capacidades mentais extremamente desiguais” (FREUD, 2006, p.70). Essa é a grande dificuldade ao se tentar adotar um método geral nas escolas de ensino regular.
Porém, o resgate às ideias de Dewey (1971) apresentadas ocorrerá pela via de sua proposta a uma teoria da experiência, que forneceram bases teóricas à construção da prática pedagógica desenvolvida, não é a intenção de este artigo propor discussões mais pronunciadas sobre suas obras, acredita-se que propor um método científico à formação do saber em sala de aula pode vir a ser uma via perniciosa, uma vez que grande parte das ciências humanas rejeita, na época atual, a relação causa-efeito – causalidade – sobre seus objetos de estudo como compreensão a determinado fenômeno. Do contrário, a persistência teórica ficaria retida, uma vez que a decantada interdisciplinaridade e a própria totalidade dos fenômenos impedem, de fato, o método experimental proposto por Dewey (1971). Também, é evidente que a função da escola básica brasileira para a sociedade segue um caminho completamente diferente da proposta pedagógica de uma universidade. Assim, toda a teoria de educação realizada a partir do pensamento de Dewey (1971) insistirá, como ponto principal, na restituição da aprendizagem ao caráter natural que ela tem, ao menos poderia ter, às posições cognitivas futuras à vida das pessoas.




1 Entende-se como leis gerais: leis de natureza científica, judiciais e dogmas da religião.

Referências

DEWEY, J. Experiência e educação. São Paulo: Editora Nacional, 1971.

FREUD, S. O Mal- Estar Da Civilização. Obras completas, vol. XX I. Rio de Janeiro: Editora Imago, 2006