Várias pessoas se perguntam
sobre a existência do amor, se ele existe ou se pode ocorrer possibilidade ao
encontro desse sentimento nos dias atuais. A resposta é refém das condições que
envolvem várias variáveis, como da efemeridade do tempo aos desejos e prazeres,
porque vivem em constantes oscilações, se metamorfoseando conforme a combinação
das necessidades dos seres.
No percorrer do tempo começa-se
a perceber a busca pela existência do amor. Talvez a pergunta devesse ser
outra, por exemplo, existem pessoas que se complementam? A procura por
excelência, no que toca ao amor, nem sempre é o que se espera daquela pessoa
que tanto se enamora. Dessa maneira se extrai os equívocos aos sentimentos,
fuga às novas investiduras ao amor por ocorrência ao medo do novo errar, a
convivência social e a realidade que engrandece a entrega dos seres ao prazer
que se desencontra com o desejo a longo prazo, descaracterizando a busca por
sucessivos prazeres durante a vida numa relação a dois, como boas conversas ou
o conviver aventuras recíprocas que a relação conjugal possa permitir.
Durante o tempo percebe-se o
impreciso quando se admira alguém por atos que se extinguem em prazos que
variam conforme os desejos e prazeres. A descoberta do sentimento amor envolve
reciprocidade à abertura do desejo de sentir prazer a um ato (ou atos) de se
estar em proximidade a algo que se deseja e que conceda prazer quando adquirido,
estando apto a saciar as vontades e necessidades do ser.
A efemeridade dos desejos e
prazeres pode arriscar o sentimento de amor ao engano. Isso lembra um
investimento, no qual se aplica um determinado valor num objeto para depois
colher prosperidade. Todo investimento precisa de cuidado, uma análise crítica
deverá ser feita para as possíveis perdas no futuro, como também para os
ganhos.
Sabe-se que todo investidor
está sujeito aos riscos, podendo ele ficar pobre ou rico ao primeiro aceno da
aurora. Talvez seja chulo comparar sentimento com algo que envolva
investimentos. Porém pode fazer sentido quando se admite algum fracasso. Não
admiti-lo é o mesmo que fanar diante das mazelas; é estar tácito por natureza,
consequência de alguma enfermidade adquirida; porque se faz ilação com base nos
antigos relacionamentos. Essa estimativa é o medo, resultado de alguma
frustração ou fracasso, esse sentimento é o selo que peia e que leva ao óbito
qualquer possibilidade de ser terno e simpático às novas sensações, isto é, aos
novos investimentos.
No primeiro amor e quando o
medo é recalcitrado faz-se emergir os serviços da deusa Afrodite e de seus
assistentes Eros e Hímero. Hímero, que de olhos vedados lança “as primeiras
setas ao acaso”, desperta o desejo efêmero do amor. Eros, que deriva “herói”,
determina quando do amor ser mais forte que qualquer prazer; amor como
sacrifício, mais imperioso que a própria vida. É este que aprisiona os seres às
novas inclinações ao amor (para quem o teve), do amor entrelaçado com a primeira
fonte de sentimento, que torna as pessoas dependentes das demais experiências
que a vida pode ou possa oferecer; é ele quem decide as aptidões futuras acerca
do amor e também a conquista do desejar o outro ser para si a longo prazo.
Comparando com os investimentos, é o passado frustrado que torna o investidor
mais cauteloso para as novas intenções de investidas.
Até aqui se entende que
passado preserva o futuro, porque é isto que o texto propõe, o passado pode ser
modificado e retificado. Mas, o que seria o sentimento inicial ou a primeira
fonte de desejo? Algumas respostas são possíveis encontrar em seu consciente, porque
todo ser possui alguma feição pré estabelecida a saciar o prazer imediato, que
antecede o desejo, logo, as pessoas já devem ter se iludido com sensações sem
efeitos contínuos.
As pessoas se abstêm de
qualquer possibilidade de amar intensamente, seja pelas experiências próprias
como pelas indagações da sociedade, o famoso adultério, por exemplo, porque não
quer dar tempo ou porque não há tempo para se chegar à descoberta desse
sentimento. No entanto, algumas outras barreiras para a descoberta do amor são
expostas: “falta de coragem” e medo em arriscar. Fica a pergunta, porque há
medo de algo que pouco se conhece e porque falta coragem em conhecê-lo? A
psicologia talvez tenha várias conclusões, mas a explicação que cabe aqui é que
a sensação do corpo frente à primeira fonte de prazeres, antecedente ao desejo,
ocorre. Essa é uma sensação de conforto e paz, há uma taquicardia devido à
presença da pessoa no qual tanto se deseja. É a felicidade interior que está
prestes a emanar do ser. É esse sentimento que aflora as setas do Hímero.
Voltando aos investimentos, um investidor dificilmente abandona seu ofício após
uma crise ou erro. Ele tenta a todo o momento salvar seus investimentos e,
mesmo fracassado, insere novas investidas.
É esse o espírito que está
nas pessoas. O que faz o investidor capaz de correr riscos? O que o torna
invulnerável ao medo? Analisando alguns pensadores como Freud, Reich e
Shakespeare, pode-se afirmar que o medo é a insegurança que o homem adquire de
uma relação longo prazo, ou e, as experiências que o homem vai conquistando ao
longo da vida, dotando-o da diferenciação de prazer e desprazer num contexto
social.
Portanto, é o prazer que
torna um investidor apto às novas investiduras; porque se não fosse de sua
função na sociedade, que foi descoberta após a experiência de prazer e
desprazer que lhe concede funções psíquicas de desejo ao maior sucesso
financeiro, esse não seria investidor. O medo à entrega e a falta de coragem para
investiduras ou novas investidas ao sentimento de prazer ao amor apenas
enfraquecem Hímero, a falta do fluído cósmico que une o corpo à vontade de
desejo a uma relação entre corpos debilitam Eros e ambos cessam qualquer
possibilidade de catarse pela deusa Vênus. Sendo a primeira a principal
tanalogia do amor.
O que torna potenciais
palavras de amor ao sentimento? A juventude foi “acelerada” pelo tempo e
perderam-se as noções das melodias e acordes que tanto se deu valor. Os antigos
cotidianos das trocas de prazeres e à necessidade do ser estar envolvido à
relação conjugal, durante os períodos áureos das formações familiares, foram
trocados por meras palavras que se inflam em sentimentos vagos em busca de
conquistas de apenas uma noite de verão, enquanto os demais concentram esforços
às noites de luas cheias em vão a dois, ficando restritos à efemeridade do
desejo e do prazer, ou seja, se confundem e não se destacam, se assemelhando ao
prazer natural ao sexo das demais espécies de animais.
Assim se desmonta as convenções tradicionais
que respondem o encontrar amor dito verdadeiro. É possível haver
verossimilhança à inflamação do envolver prazeres, desde que haja o encontro do
desejar às trocas de prazeres, isto é, espera-se que se admita, em situação, o
desejo de se conjugar os prazeres e, em condição, que o tempo permita que não se
leve a falhar os prazeres. Exemplo de sentimento que inclina ao fracasso se
situa no desejo ao corpo do outro e que dele se espera o prazer, sabe-se que o
organismo está sujeito às perdas durante o tempo e, logo, se entende a
efemeridade do cultuar o prazer em desejar, que coloca em cela as relações
longo prazo.
O amor não responde ao tempo,
mas às necessidades que se busca dentro das escalas desse tempo ou às variações
psicológicas que cada ser possui, como o gostar e admirar os mesmos objetos ou
realizar algo que lhes permitem relações que produzam o ecoar da saudade, que
só é descoberta após a morte do outro ser, por conta da não descoberta dos
potenciais valores dos prazeres que, descobertos a tempo, sejam engrandecidos e
nobres aos dois, se tornando eternos. Dessa forma a confusão dos desejos com os
prazeres pode ser vencida e o ser poderá se antevir ao futuro, prevendo os
desejos do outro e centralizando suas vontades às necessidades à busca do amor
dito verdadeiro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário